Benedito tem setenta anos e uma canoa. Faz quarenta que ele atravessa o rio levando as crianças da comunidade pra escola.
Do outro lado não tem ponte, não tem estrada. Se ele não leva, não tem aula.
Uma condição foi tirando a circulação dos braços. Onde ele mora, o tratamento demora e muitas vezes não chega. Ele acabou ficando sem os dois.
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Ele não parou. O filho de dez anos encaixa o remo entre os pés do pai, e Benedito rema assim, devagar.
A travessia demora o dobro, mas todo dia ele sai cedo com o menino no barco.
Pra comer, pra vestir, pra amarrar a canoa, ele depende da esposa e do filho.
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Existe prótese pra isso. Com ela, Benedito volta a segurar o remo, amarra a canoa sozinho e come sem ninguém dar na boca dele.
Mas tem prazo: se não colocar em até um ano, o ombro endurece e ele não aprende mais a usar. Sete meses já se foram. Faltam cinco.
Quarenta anos esse homem atravessou os filhos dos outros. Agora é a travessia dele que está no meio do rio, e os cinco meses que faltam decidem de que lado ela termina.
Quem quiser remar esse pedaço com ele, começa aqui embaixo:
QUEM SE JUNTOU
Quarenta anos levando criança pra escola de canoa. Que homem, seu Benedito!
Compartilhei aqui com a família toda. Força pro senhor e pro menino.
Remar com os pés pra não deixar as crianças sem aula... não tenho palavras.
Esse filho de dez anos é um orgulho. Torcendo muito por vocês.
Que o senhor volte logo a segurar o remo sozinho, seu Benedito.
Sou professora. Gente como o seu Benedito é quem faz a escola existir.
O menino encaixando o remo nos pés do pai... apertou o coração aqui.
Um abraço pra esposa dele também. Família forte demais.
Cinco meses passam rápido. Vamos junto com ele nessa travessia.
Homem de fibra. Tô na torcida pelo senhor.
Atravessou os filhos dos outros a vida toda. Agora é a nossa vez.
Compartilhando pra chegar em mais gente. Força, seu Benedito!